O Jesuíta Leonel Franca

Fundador e primeiro reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Padre Leonel Edgard da Silveira Franca S.J. nasceu em 06 de janeiro de 1893, em São Gabriel, Rio Grande do Sul, de família baiana. Homem de profunda influência cultural e religiosa no Brasil, Padre Leonel Franca dedicou cerca de seus últimos dez anos à fundação e consolidação da primeira universidade particular do país. Conferencista de cultura profunda e vasta, suas palestras representavam acontecimento intelectual de primeiro plano. Nessas ocasiões levava a auditórios lotados figuras ilustres como Epitácio Pessoa, Pandiá Calógeras, Jackson de Figueiredo, Alceu Amoroso Lima, Sobral Pinto e Murilo Mendes.

Ingressou na Companhia de Jesus em 1908, depois de completados os estudos no Colégio Anchieta em Nova Friburgo, RJ. Já se manifestava então a insuficiência cardíaca que o acompanharia por toda a vida. Em 1910 iniciou o curso de letras, próprio da formação dos jesuítas e em 1912 seguia para Roma onde cursou o triênio de Filosofia na Universidade Gregoriana. Voltou ao Rio em 1915 e iniciou o magistério no Colégio Santo Inácio. Seu primeiro livro, "Noções de História da Filosofia" surgiu como prolongamento das aulas que ministrava, texto que se tornaria um "best seller", sendo lido, citado e usado em cursos de Filosofia até os dias de hoje.

Em 1920 retornou a Roma para o curso de Teologia de quatro anos tendo sido ordenado Sacerdote em 1923, ano em que publicou uma obra de grande fôlego, também um "best seller", "A Igreja, a Reforma e a Civilização". No ano seguinte doutorou-se em Filosofia e Teologia e em novembro de 1925 completou, em Oya na Espanha, o último ano da formação jesuítica, a chamada "Terceira Provação".

De volta ao Brasil, Leonel Franca ensinou aos estudantes jesuítas no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, onde estudara anos antes. Transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1927, onde publicou suas obras mais importantes como "O Divórcio" e "A Psicologia da Fé" e foi nomeado para o Conselho Nacional de Educação, do qual foi um dos fundadores em 1931. De volta ao Brasil, Leonel Franca ensinou Filosofia durante um ano aos estudantes jesuítas, em Nova Friburgo. Transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1927, onde publicou várias obras importantes, entre as quais "A Psicologia da Fé", "O Divórcio", “O Problema de Deus” e, talvez a mais notável delas, “A Crise do Mundo Moderno”. Em 1939 o Concílio Plenário dos Bispos do Brasil decidiu criar a Universidade Católica do Brasil, no Rio de Janeiro. Dom Sebasitão Leme, Cardeal Arcebispo do Rio encarregou seu conselheiro, Pe. Franca, de incumbir-se desta missão. Em outubro de 1940 decreto Presidencial criava as "Faculdades Católicas", que começaram a funcionar no ano seguinte, tendo como seu Reitor o próprio Pe. Franca. Em 1945 as "Faculdades Católicas" passariam a ser Universidade e dois anos depois, Pontifícia, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio. Apesar da sua saúde extremamente debilitada, Pe. Franca continuou dirigindo a Universidade, dada sua liderança inconteste, provavelmente o mais ilustre Padre no país, tanto pela sua cultura, como pela santidade de vida, até sua morte a 03 de setembro de 1948.